Tinto e Branco - Winehouse
Rua 31 de Janeiro
Vila Real
28/01/2016
21h30m
No final brindamos à conversa, ao vinho, às leituras e a nós!
Enquanto aguardava pela chegada dos Caros Leitores, fui
conversando com Carlos Almeida sobre a sua casa e a motivação que o levou a
transformar a casa das flores, numa casa de degustação. A resposta foi o
esvaziamento progressivo do centro histórico da cidade de Vila Real. Admirei
mais uma vez o tecto do espaço e a sua sanca.
Hoje o grupo
teve mais participantes e registo-os pela ordem na mesa: Carla Azevedo,
Adelaide Afonso, Isabel Sarmento, Fátima Campos, João Sequeira, Raúl Alhais,
Paulo, Fernanda Gouveia, Rui Coelho, Rafael, Marina Teixeira, Anabela Quelhas,
Luísa Costa.
Questionou-se
se iriamos criar ou não um rito de iniciação a este grupo, atendendo aos novos
elementos. Ameaçou-se com várias possibilidades, apenas…
A primeira
questão colocada para tema de conversa foi:
- Porque gostam de vinho e como se gosta de
vinho.
… associada a esta:
- A boa literatura, assim como um vinho de
qualidade, devem ser necessariamente entendidos para serem apreciados?
Alguém
admirando uma foto pendurada na parede, esclareceu sobre a expressão “fazer a
meia noite” que se refere ao esmagar o vinho no lagar entre as 20h e a meia
noite.
O tema
lançado proporcionou muita conversa com as respectivas derivações, o que torna
a conversa saudável e agradável, enquanto degustavam um copo de bom vinho. Um? Vários!
- O que é ser leitor?
Surgiu a
banda desenhada Patinhas, livrinhos de Cowboys, Mandrakes, Corin Tellados.
Biancas e Júlias…. Para muitos, essa foi
a porta de entrada para a leitura.
-Mas afinal o que é a competência leitora?
Conversa
solta que interseptou sempre os livros e os filmes - “As sete noivas para sete
irmão” visto por alguém no cinema Lumiére com o pai ao lado a ressonar, um
Greese visto no cinema S. João, com bilhetes especiais atrás de uma coluna.
Voltou-se às
bebidas e à paixão por um cocktail denominado “fast and furious cocktail”
- Afinal o prazer é
proporcional ao conhecimento?
Os “à partes” sobre o Leonardo de Caprio candidato ao
Óscares, surgiram no meio da conversa.
Quem lançou o “réptil”? (não sei se crocodilo ou uma mera
lagartixa) J
- Porque tem de haver
Óscar para a melhor actriz e o melhor actor?- o sexo e os Óscares.
… e a lagoa azul?
Entretanto a conversa já se dividia, pois 13 pessoas podem
falar sobre muita coisa!
Partilhámos as
nossas leituras: “Americanah” de Chimamanda Ngozi Adichie (1), “Persépolis” de Marjane
Satrapi (2), “Flores”, de Afonso Cruz (3), “Prometo falhar” de Pedro Chagas
Freitas (4) e “Em teu ventre” de José Luís Peixoto. (5)
(1) – livro sobre a Nigéria e os Estados Unidos, a dicotomia
do assimilado e o emigrante, os problemas de identidade e da raça, uma obra
prima com vários centímetros de espessura de lombada que não se aconselha a
quem gosta de ler deitado J
…. em contracurva falou-se da festa do Avante e os problemas
dos cheiros, cheiros e aromas, maus e bons, como o cheiro é importante para
resgatar memórias.
(2) - um livro em BD a
preto e branco, romance autobiográfico, retratando a vida da autora, da infância até à
idade adulta, no início do Irão, durante e após a revolução islâmica.
(Alguém fala de carne de porco à alentejana e lulas recheadas
que preparou ao almoço. Ohhhh! como eu queria!!)
(3) – última obra de Afonso Cruz, um livro sobre o amor. Leu-se um excerto:
“Creio que numa relação, o beijo terá sempre de manter a
densidade do primeiro, a história de uma vida, todos os pores-de-sol, todas as
palavras murmuradas no escuro, toda a certeza do amor. Mas já não é assim. Agora
sabem às vacinas que tínhamos de dar à cadela (já morreu), às conversas com o
director da escola, à loiça por lavar, à lâmpada que falta mudar, às infiltrações
no tecto, às reuniões de condomínios. Toco levemente os lábios dela e sabe-me à
rotina, às finanças, ao barulho da máquina de lavar roupa. Beijamo-nos como
quem faz a cama.”
- Quem é mau aluno a português pode
transformar-se num grande escritor? Algumas
dúvidas assolaram a conversa, onde se afirmou que as oficinas de escrita criativa podem
criar a ilusão que todos os que têm dificuldade em escrever, o podem fazer com
sucesso. Quem tem formação nas Letras, pensa que não é impossível.
(Até no inferno há flores---, quem disse isto? )
“Jesus
Cristo bebia cerveja” e “Para onde vão os guarda-chuvas” são 2 obras
imperdíveis deste escritor.
(4) um livro que não se aconselha. Leram-se excertos, o que
provocou o humor fácil entre os presentes que talvez pela sua maturidade não
escolheriam este livro para ler. Alguém disse que deste livro se tiram boas
frases para publicar no facebook, para dedicatórias aos namorados, mas que não
há fio condutor consistente em toda a obra
“Amo-te
no meio de um beijo” como será?
“Não sei o que sou, mas sei que sou tua”
A frase mais
hilariante que estimulou o imaginário dos presentes: “Troco uma vida de orgasmos por um orgasmo de uma vida”
Um bom livro
para esperas, disse alguém: a espera da consulta no centro de saúde, a espera
da fisioterapia…
Foi incontornável
referir como mau exemplo a Margarida de Rebelo Pinto. Estamos todos de
acordo.
(5) sobre as aparições em Fátima. Com José Luís Peixoto
apetece sempre falar do que se leu, pois parece que a opinião é unânime sobre a
qualidade do escritor. Referiu-se um dos primeiros livros “Nenhum olhar”.
Como a
conversa não se deve centrar apenas nos livros, ainda se falou de:
- Um sítio
na net onde estão publicados postais da Ramos Pinto, relacionados com o vinho, exemplares
belíssimos do design do final do século XIX.
- A colecção de postais de José Augusto Aires
Torres (1893-1979) ainda exposta na sala de exposições do Teatro Municipal de
Vila Real, que este enviava durante a 1ª guerra Mundial.
http://traga-mundos.blogspot.pt/2015/05/visita-casa-museu-aires-torres-parada.html
Foi obrigatório falar de Lobo Antunes e do seu “Deste viver aqui neste papel descripto” .
http://traga-mundos.blogspot.pt/2015/05/visita-casa-museu-aires-torres-parada.html
Foi obrigatório falar de Lobo Antunes e do seu “Deste viver aqui neste papel descripto” .
No final brindamos à conversa, ao vinho, às leituras e a nós!










