terça-feira, 26 de abril de 2016

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Caro leitor 6

Espaço d'artes
Galeria
Rua dr Roque da Silveira (Rua direita)
Vila Real
21/04/2016
21h30m
Os presentes de A a R
Anabela Quelhas
Carla Azevedo
Cristina Caldas
Délia Fagundes,
Fátima Campos
João Sequeira
Jorge Marinho
Luísa Costa
Rafael Pelayo
Rui Coelho





Combinamos levar os rabiscos que todos fazemos, já que a noite seria passada numa galeria de artes, e ninguém cumpriu excepto a Fátima, o que comprova o espírito rebelde e anarca que há em nós e teima não se moldar a pedidos, nem a vontades, toldando-nos a memória. Cheguei primeiro e fui a primeira a esquecer os rabiscos em casa.
Um voto de protesto, porque antes da nossa … (com lhe devo chamar???clube? tertúlia?carolice? sei lá!) enfim este encontro, rumei ao supermercado para comprar uns aperitivos e umas castanhas de caju, para animar o corta-palha do pessoal da conversa vadia e oiço uam voz atrás de mim:
- Então é assim que fazes dieta?!!!!!

Vivemos num mundo onde a gentileza não tem vez!   

Fomos recebidos pelo Jorge e o seu espaço de criação, onde pudemos apreciar algumas pinturas expostas e determinamos que o Rui, ao longo da noite teria que ir rabiscando num papel, para nos comprovar a autenticidade da arte divulgada na sessão anterior.
O Jorge só conhecia três elementos, a Balbina Mendes não conhece nenhum e é a Balbina!!! Ups desviei-me… e então o Jorge não sei se já ultrapassou o trauma nocturno de ver 9 grandes vadios a invadir o seu espaço para deitar conversa fora.
O Jorge falou de Moçambique, apresentando-se.
Veio o Arafat, já não sei porque, o Trump, a América onde tudo é possível até ter um Trump e um Obama. O mundo está louco, até os Simpsons já se aperceberam disso!
A Fátima chegou de saco-cheio na verdadeira acepção da palavra - saco cheio de artesanato confeccionado com trapilho e outros materiais reciclados, onde a poesia e a literatura têm passaporte actualizado – flores, toalhas, guarda-chuvas, cds, pisa papeus, gargantilhas e broches.

Broches???? Alguém questionou escandalizado.
Amolador de tesouras/ guarda-soleiro, PRECISA-SE URGENTE.  

- Eu própria sou toda uma grande motivação! – foi a primeira frase bombástica revelando a reduzida auto-estima da palavreante.






















Acabou o quebra gelo e mesmo sem cerimónia todos encheram o seu copo com vinho importado da quinta dos Lagares  2012– garrafa cintada em diagonal com rótulo vermelho, com um touriga nacional, travo a tangerina “mai-lo” carvalho, “mai-lo…!!!! J
- Se observarmos bem, conseguimos ver as abelhas na polonização – afirmou alguém logo no primeiro ensaio, armado em escanção.
Encomendas 5€ - Quinta Vale de Mendiz – Favios – Pinhão (e também vende azeite)



Enquanto alguns comentavam o pão de Favaios e o azeite da isabel, esta apresentou o livro que trouxe para partilhar: "Empresa das Índias" de Erik Orsenna. Cristóvõ Colombo para aqui e para acoli.









Délia saca do seu “Navios da Noite” de João de Melo, realçando a epígrafe de Álvaro de Campos:

“Que somos nós? Navios que passam um pelo outro na noite,
Cada um a vida das linhas das vigias iluminadas
E cada um sabendo do outro só que há vida lá dentro e mais nada.
Navios que se afastam ponteados de luz na treva,
Cada um indeciso diminuindo para cada lado do negro
Tudo mais é a noite calada e o frio que sobe do mar.”

Uma obra dedicada à perspectiva do “vencido” = Louser

O que é ser vencido? O sucesso de um vencedor constrói-se à custa de vários vencidos.

A Luisa evocou o seu escritor preferido Haruki Murakami, Kafka à beira mar (título sugestivo, uma obra pode ter sucesso apenas pelo título), Sputnik, Meu Amor, 1Q84


O Deus das pequenas coisas



A insustentável Leveza do ser – o livro e o filme, a eterna discussão sobre o que é melhor, a decepção ou a surpresa?


Alguns comentários sobre a difícil tarefa de ensinar literatura, … a interpretação, "se queria dizer, porque não disse" (achei o máximo, porque é uma eterna verdade para os matemáticos).
Abordou-se a simbologia da cor através de um poema de Camões:



Descalça vai para a fonte


Leonor, pela verdura;

vai formosa e não segura.

Leva na cabeça o pote,


o testo nas mãos de prata,

cinta de fina escarlata,

sainho de chamalote;

traz a vasquinha de cote,
mais branca que a neve pura;
vai formosa e não segura.

Descobre a touca a garganta,


cabelos de ouro o trançado,

fita de cor de encarnado

tão linda que o mundo espanta!

chove nela graça tanta
que dá graça à formosura;
vai formosa, e não segura.

Luís de Camões




Claro que entrou a conversa vadia, ocasionada por um comentário menos confortável de um aluno…. Veio a história do período, do pensinho que deixa respirar (apenas as mulheres), OB que deixa fazer tanta coisa, e mais umas alarvidades que eu não soube ler no meu rascunho…. 
Quem te escreveu, que te leia!!! Nomeadamente tirar o SELIM… ahm?
O Rui mostrou a sua veia artística para desenhar maças reinetas e as suas potencialidade para a dança – fez uma pequena exibição com uma valsa, tendo como par a Carla…. (Oh Jorge! aturas cada coisa!!!)
Da valsa passou-se para o Kuduro e para o toque da próstata, 
                                    como a nossa imaginação é fértil!
- Para mim,  co(u)zinho!
- Seu cuzinho não lavo…. Ah???? Ouvi isto? Espelhos e balanças,  as cores que engordam e o folclore do Pelayo. Ele queria muito dançar folclore, mas não deixamos.

Rafael fica para a próxima!!!! 






Montanhismo e ciclismo,... que tem a ver? A ligação é com o Rafael…. Só ele sabe.
Caminhos de Santiago.
Coro da UTAD, Mátria.

- Sonhei que estava a correrrrr, Fátima, o que andas a comer ao jantar? A fugir de um cão?

(como já perceberam cansei-me de escrever, e só anotei palavras soltas, confiando na minha memória que nunca é de confiar – Não bebi! Palavra.)
Fernando Mamede e o seu "complexo de lebre", quem viu, quem viu aquele desastre desportivo?
Humor negro entre a Etiopia e a Jamaica, jogo em relva, metade comida, metade fumada – ups humor negro, como de negro passavam os “Urubis” para a noite de fado.
- Odeio fado – eu.
O sucesso dos lápis de cor com cor de pele- ainda vou investigar… (interessante)

“A Uniafro (Programa de Ações Afirmativas para a População Negra), em parceria com a empresa Koralle, criou um estojo de giz de cera com 12 cores de pele, que variam do bege ao marrom-escuro. A ideia é fazer com que as crianças encontrem tons entre opções mais realistas, mostrar a diversidade racial da nossa população e promover a igualdade entre os alunos.” Google

A Carla apresentou o projeto do José Eira (faltista)
O primeiro registo de longa duração dos Addūcantur acaba de ser lançado!
“Mosaico” contém 8 faixas que mostram o variado leque de influências musicais e abordagens instrumentais que salientam a originalidade deste projeto.
José Correia: Guitarra Clássica, Duduk
Eloísa d´Ascensão: Voz, Letras
Nuno Silva: Santur Persa, Baglama, Oud
Luiza Bragança: Piano
Sérgio Henrique: Space Drum, Tar, Riq, Udu, Percussões

Gravado nos Estúdios Musibéria por Hugo Bentes e André Espada, Julho – 2014
Misturado e masterizado por Francisco Leal, Outubro 2015 – Março 2016
Podem ouvir aqui:
"Conhecer este projeto dá-nos a possibilidade de ouvir algo diferente do que normalmente ouvimos, mas é preciso Ouvi-lo com ouvidos de Ouvir, sem pressa e de espírito aberto porque não é o tipo de música que costumamos ouvir. Como se costuma dizer "primeiro estranha-se e depois entranha-se" porque a mistura de instrumentos, que são muitos e alguns deles muito diferentes do que estamos habituados a ouvir: duduk, space drum, udu, só para nomear alguns, transportam-nos para locais diferentes e distantes. Este CD é como um livro de histórias que se vão desenrolando ao longo do trabalho e que se vão desvendando à medida que vamos ouvindo uma e outra vez porque há partes que só se leem nas entrelinhas, ou seja, à medida que vamos entendendo a música. A vocalista tem uma voz muito melodiosa e envolvente. 
Há duas músicas que destaco: a primeira "Ulisses", pela voz, por uma mistura de fado com um cheirinho de flamenco e de sons orientais e "Sessiz" pelo piano e pelo duduk,a mistura é soberba: uma sensação de paz e de calma incrível!" (Carla Azevedo) 
Para encerrar, as horas da noite viravam já para outra noite, ensinei a observar estereogramas, confessando a minha admiração por Salvador Dali.
E porque já nem eu já me aturo a escrever e a ler, vou remeter o assunto que prometi para :


Há muito mais, mas por agora é tudo.
Beijinhos e abraços e treinem essa vista vadia, pois há mundos desconhecidos quase invisiveis mesmo debaixo dos nossos digníssimos narizes, com capacidade para nos surpreeender.

Até à próxima, obrigada Jorge.