segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016


Queridos amigos conversadores,
Terminei o meu calhamaço e agora estou com aquela sensação de perda que nos acontece quando terminamos um livro de que gostamos muito e que, pela sua grossura, nos acompanha por bastante tempo. Os livros, às vezes, parecem gente, acendem a mágoa, abrem portas à alegria, somos felizes com uns, ficamos fartos de outros...

Bem, a dada altura, quase no final do livro, e é isto que quero partilhar convosco, uma das personagens diz: “Têm dinheiro, mas precisam de se tornar sofisticados. Precisam de aprender sobre vinho." Achei esta passagem muito curiosa, primeiro porque vai ao encontro do tema da última conversa e depois porque me ocorreu que esta nova vaga de bebedores de vinho talvez não goste de vinho, apenas está na moda beber vinho e saber falar de vinho. Mas ainda bem, pois o Douro (e não só) agradece!

Agradeço comentários.
Ah! E aproveito para agradecer a vossa companhia que foi bastante terapêutica. Se as pessoas se sentassem mais vezes à volta de uma mesa e menos vezes à volta de um sofá, tudo seria diferente.
Carla

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Caro leitor 3

Tinto e Branco - Winehouse
Rua 31 de Janeiro
Vila Real
28/01/2016
21h30m


            Esta noite o encontro foi na Winehouse Tinto e Branco e fomos recebidos por Carlos Almeida.
Enquanto aguardava pela chegada dos Caros Leitores, fui conversando com Carlos Almeida sobre a sua casa e a motivação que o levou a transformar a casa das flores, numa casa de degustação. A resposta foi o esvaziamento progressivo do centro histórico da cidade de Vila Real. Admirei mais uma vez o tecto do espaço e a sua sanca.
            Hoje o grupo teve mais participantes e registo-os pela ordem na mesa: Carla Azevedo, Adelaide Afonso, Isabel Sarmento, Fátima Campos, João Sequeira, Raúl Alhais, Paulo, Fernanda Gouveia, Rui Coelho, Rafael, Marina Teixeira, Anabela Quelhas, Luísa Costa.
            Questionou-se se iriamos criar ou não um rito de iniciação a este grupo, atendendo aos novos elementos. Ameaçou-se com várias possibilidades, apenas…
            A primeira questão colocada para tema de conversa foi:
            - Porque gostam de vinho e como se gosta de vinho.   
… associada a esta:
            - A boa literatura, assim como um vinho de qualidade, devem ser necessariamente entendidos para serem apreciados?
            Alguém admirando uma foto pendurada na parede, esclareceu sobre a expressão “fazer a meia noite” que se refere ao esmagar o vinho no lagar entre as 20h e a meia noite.
            O tema lançado proporcionou muita conversa com as respectivas derivações, o que torna a conversa saudável e agradável, enquanto degustavam um copo de bom vinho. Um? Vários!
            - O que é ser leitor?
            Surgiu a banda desenhada Patinhas, livrinhos de Cowboys, Mandrakes, Corin Tellados. Biancas e Júlias….  Para muitos, essa foi a porta de entrada para a leitura.
            -Mas afinal o que é a competência leitora?   
            Conversa solta que interseptou sempre os livros e os filmes - “As sete noivas para sete irmão” visto por alguém no cinema Lumiére com o pai ao lado a ressonar, um Greese visto no cinema S. João, com bilhetes especiais atrás de uma coluna.
            Voltou-se às bebidas e à paixão por um cocktail denominado “fast and furious cocktail”
- Afinal o prazer é proporcional ao conhecimento?
Os “à partes” sobre o Leonardo de Caprio candidato ao Óscares, surgiram no meio da conversa.
Quem lançou o “réptil”? (não sei se crocodilo ou uma mera lagartixa) J
- Porque tem de haver Óscar para a melhor actriz e o melhor actor?- o sexo e os Óscares.
… e a lagoa azul?
Entretanto a conversa já se dividia, pois 13 pessoas podem falar sobre muita coisa!
            Partilhámos as nossas leituras: “Americanah” de Chimamanda Ngozi Adichie (1), “Persépolis” de Marjane Satrapi (2), “Flores”, de Afonso Cruz (3), “Prometo falhar” de Pedro Chagas Freitas (4) e “Em teu ventre” de José Luís Peixoto. (5)
(1) – livro sobre a Nigéria e os Estados Unidos, a dicotomia do assimilado e o emigrante, os problemas de identidade e da raça, uma obra prima com vários centímetros de espessura de lombada que não se aconselha a quem gosta de ler deitado J
…. em contracurva falou-se da festa do Avante e os problemas dos cheiros, cheiros e aromas, maus e bons, como o cheiro é importante para resgatar memórias.
(2) -  um livro em BD a preto e branco, romance autobiográfico,  retratando a vida da autora, da infância até à idade adulta, no início do Irão, durante e após a revolução islâmica.
(Alguém fala de carne de porco à alentejana e lulas recheadas que preparou ao almoço. Ohhhh! como eu queria!!)
(3) – última obra de Afonso Cruz, um livro sobre o amor. Leu-se um excerto:
            “Creio que numa relação, o beijo terá sempre de manter a densidade do primeiro, a história de uma vida, todos os pores-de-sol, todas as palavras murmuradas no escuro, toda a certeza do amor. Mas já não é assim. Agora sabem às vacinas que tínhamos de dar à cadela (já morreu), às conversas com o director da escola, à loiça por lavar, à lâmpada que falta mudar, às infiltrações no tecto, às reuniões de condomínios. Toco levemente os lábios dela e sabe-me à rotina, às finanças, ao barulho da máquina de lavar roupa. Beijamo-nos como quem faz a cama.”
            - Quem é mau aluno a português pode transformar-se num grande escritor?           Algumas dúvidas assolaram a conversa, onde se afirmou que as oficinas de escrita criativa podem criar a ilusão que todos os que têm dificuldade em escrever, o podem fazer com sucesso. Quem tem formação nas Letras, pensa que não é impossível.
(Até no inferno há flores---, quem disse isto? )
            “Jesus Cristo bebia cerveja” e “Para onde vão os guarda-chuvas” são 2 obras imperdíveis deste escritor.
(4) um livro que não se aconselha. Leram-se excertos, o que provocou o humor fácil entre os presentes que talvez pela sua maturidade não escolheriam este livro para ler. Alguém disse que deste livro se tiram boas frases para publicar no facebook, para dedicatórias aos namorados, mas que não há fio condutor consistente em toda a obra
             “Amo-te no meio de um beijo” como será?
            “Não sei o que sou, mas sei que sou tua”
            A frase mais hilariante que estimulou o imaginário dos presentes: “Troco uma vida de orgasmos por um orgasmo de uma vida”
            Um bom livro para esperas, disse alguém: a espera da consulta no centro de saúde, a espera da fisioterapia…   
            Foi incontornável referir como mau exemplo a Margarida de Rebelo Pinto. Estamos todos de acordo.
(5) sobre as aparições em Fátima. Com José Luís Peixoto apetece sempre falar do que se leu, pois parece que a opinião é unânime sobre a qualidade do escritor. Referiu-se um dos primeiros livros “Nenhum olhar”.
            Como a conversa não se deve centrar apenas nos livros, ainda se falou de:
            - Um sítio na net onde estão publicados postais da Ramos Pinto, relacionados com o vinho, exemplares belíssimos do design do final do século XIX.



            -  A colecção de postais de José Augusto Aires Torres (1893-1979) ainda exposta na sala de exposições do Teatro Municipal de Vila Real, que este enviava durante a 1ª guerra Mundial. 
http://traga-mundos.blogspot.pt/2015/05/visita-casa-museu-aires-torres-parada.html


Foi obrigatório falar de Lobo Antunes e do seu  “Deste viver aqui neste papel descripto” .
           
No final brindamos à conversa, ao vinho, às leituras e a nós!

            Tchim!, Tchim!
AQ

* Um agradecimento especial ao Carlos Almeida, que tão bem nos recebeu.

























FOTO-REPORTAGEM





















Convite 21 de janeiro 2016

Adiado para dia 28/01/2016

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Caro Leitor 2

Museu de arqueologia
Vila Velha
Vila Real
19/11/2015
21h30m
Estava frio e escuro, uma noite de início de inverno.
Cheguei primeiro, encontrei o João Ribeiro a trabalhar e a esperar-nos.
Chegou a Luísa Costa, a Carla Azevedo, a Fátima Campos e finalmente Isabel.Sarmento.
Eu sentia-me um pouco desmotivada pela ausencia de alguns convidados, também me apetecia ficar em casa no calorzinho e a navegar na net, a saborear um chá de menta.
Afinal, foi bom, reconheço que somos boas conversadoras e sabemos ouvir. O tempo passou muito rápido.
Começamos por falar sobre a nossa senhora de que é o cartão de visita do museu, antigamente localizada num nicho localizado na parte superior das portas da cidade. O jardim da carreira, o muro do jardim e os brasões que não têm identificação para o público.
5 mulheres a conversar dentro de um museu, numa noite de novembro, na parte mais antiga da cidade.
Começamos por falar sobre museus.
 – O maior museu do Mundo localizado em Washington e o menor localizado num elevador em NY com menos de 6m2…
- Os museus bizarros: o museu dos mortos, o museu do esgoto em Paris e a associação ao livro “Os Miseráveis”, o museu do cabelo na Turquia, o museu das sanitas na India, o museu das muletas no Azerbeijão…
– Os museus das aberrações humanas e daí saltou-se para a exposição sobre corpo humano a decorrer em Lisboa, os museus anatómicos das faculdades de medicina, …
 – Um museu  de Inglaterra que é uma povoação que parou no tempo, com a peste… corpos carbonizados…
- Os museus malditos, proibidos ao olhar do público…
Dos museus passamos para os livros “O museu da inocência” de Orhan Pamuk. Falou-se sobre o escritor, sobre a Turquia e a sua cultura que se equilibra entre o oriente e o ocidente. Contaram-se historias, experiências e viagens. O papel da mulher naquela cultura. As contradições nas situações que passam pelo sexo, pela virgindade e pelo casamento.
“Uma Família Turca”, “As meninas proibidas de Cabul” foram obras referidas no meio da conversa.
Temperamos a conversa com bombons vindos directamente da rua da Prelada, Porto. Deliciosos + chocolate com avelã.
Aprofundou-se o assunto mulheres na cultura ocidental, as tarefas domésticas, o empenho dos homens em ajudar ou não, as razões históricas, contaram-se casos pessoais, da família e dos amigos, ….
Voltou-se aos museus – museu do papel, museu do brinquedo, a casa museu da quinta de santiago em leça da palmeira, a casa museu guerra junqueiro no Porto, e o museu da cortiça.
As horas passaram, não houve tempo para falar da agenda que tínhamos a tratar. Bom sinal!
Um livro para emprestar: “Suite francesa”.
O museu fechou.
Boa noite. Amanhâ é outro dia.
Um agradecimento especial a João Ribeiro.

AQ

Wook.pt - As Meninas Proibidas de CabulWook.pt - O Museu da Inocência


Wook.pt - Suite Francesa

FOTO-REPORTAGEM













Convite - 19 de novembro de 2015