quinta-feira, 19 de maio de 2016

Caro leitor 7

Oficina das Artes 
Teatro Municipal
19/05/2016
21h30
Carla Azevedo
José Eira
Deolinda Ferreira
Luísa Costa
Rui Coelho
Agostinho Leitão
Rafael Pelayo
Marina Teixeira
Adelaide Afonso
Délia Fagundes
Sónia Pereira
Cristina Caldas
José Pinto (o nosso Calhau)
Raúl Alhais
Anabela Quelhas

Inicia-se com um brinde ao Conservatório que nos faz concorrência nesta noite através dos solistas filhos das nossas caras leitoras em falta.
- Depois de se abrirem as garrafas que se abram as mentes para a poesia!
- Quem trouxe um poema?
"Eu tinha um búzio, em cima da cama o púzio!!!!!

Altera-se a iluminação, cria-se um ambiente intimista à luz de velas,  ao som da guitarra docemente tocada pelo Zé Eira, enchem-se os copos e soltamos a poesia...

Deolinda inspirada depois de ouvir o Galamba:

O Nosso Livro

Livro do meu amor, do teu amor,
Livro do nosso amor, do nosso peito... (Florbela Espanca)

Rui Coelho:
Na igreja (Mia Couto)
(falta poema)

Marina Teixeira (cantando Florbela Espanca).
Ser poeta
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
http://natura.di.uminho.pt/~jj/musica/html/trovante-serPoeta.html


Adelaide Afonso:
Receita de mulher (Vinicius de Morais)
As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental. É preciso
(…)
Luísa Costa:
Liberdade (Fernando Pessoa)
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Délia Fagundes:
O coito de Morgado (Natália Correia)
 Já que o coito - diz Morgado -
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
(…)
Sónia Pereira:
 Quadrilha (Carlos Drummond de Andrade)
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
(…)
Cristina Caldas:
Vendo-os assim tão pertinho (João Verde)
Vendo-os assim tão pertinho,
 a Galiza mail’ o Minho,
são como dois namorados
(…)
Raúl Alhais:
Em face dos últimos acontecimentos (Carlos Drummond de Andrade)
Oh! sejamos pornográficos
(docemente pornográficos).
Por que seremos mais castos
(…)
José Pinto:
Nós vivemos na cidade quase sempre perdidos (Rui Pires Cabral)
 Nós vivemos na cidade quase sempre perdidos
nas nossas pequenas razões. Estas ruas
ainda prometem mais do que podem cumprir?
Anabela Quelhas:
Poesia Visual







Poetas do amor (Fiama Hasse Pais Brandão)
Senão todos algum
de nós reproduz diversos os mesmos lugares.
E aquela que entra no verso para o
                                               Percorrer
Atrás da tua sombra serei eu.

Carla Azevedo:
Eterno (Pedro Barroso)
Quero que gostes de Pina Baush, ou até já nem gostes,
queiras mais queiras diferente;
que gostes da cor e do risco forte de Miró
(…)
Adelaide Afonso:
Soneto de Fidelidade (Vinicius de Moraes)
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Agostinho Leitão:
Viajar! Perder países! (Fernando Pessoa)
Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
(…)
Rafael Pelayo:
Avesso Bíblico (Mia Couto)
No início,
já havia tudo.
Mas Deus era cego
(…)
Délia Fagundes:
A Defesa do Poeta (Natália Correia)
Senhores juízes sou um poeta
um multipétalo uivo um defeito
e ando com uma camisa de vento
(…)
José Pinto:
A nêspera (Mário Henrique Leiria)
Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia
(…)
Carla Azevedo:
Calçada de Carriche (António Gedeão)
Luísa sobe,
sobe a calçada,
sobe e não pode
(…)
Cristina Caldas:
Lágrima de preta (António Gedeão)
Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
 (…)
http://entreromuloegedeao.no.sapo.pt/analiselagrimadepreta.html

Anabela Quelhas:
Canto para Guevara (Papiano Carlos)
De um lado ao outro
Da noite colonial,
De Porto Rico a Valparaíso,
De S. Paulo a Baía Branca,
Leste a oeste, norte a sul,
Das praias atlânticas à neve
Dos Andes e às areias do Pacífico,
Do Panamá è Terra do Fogo.
A toda a largura continental,
Dumlado ao outro
Das trevas da opressão
Por cantingas, desertos,
Cidades e florestas

Quem esporeia invencível
Este corcel de fogo
Quem conduz triunfante os curiáceos
Esporos do futuro?
Nenhuma tempestade
poderá deter a sua marcha
Atravessa-te, Sul-América,
E irrompe na fome, na erosão
De teus povos.

Dá-lhe o nome que guardas
Para o filho que te vai nascer,
Ou o nome da mulher
Que amares.
Chama-lhe
Alvorada,
Estrela da manhã.
Chama-lhe Guevara.

Rui Coelho:
(Mia Couto)
???

Agostinho Leitão partilhou a sua admiração por Torga, pois leu recentemente “A criação do mundo”…

Délia Fagundes:
Resgate (Manuel Alegre)
Há qualquer coisa aqui de que não gostam
da terra das pessoas ou talvez
deles próprios
cortam isto e aquilo e sobretudo
(…)
TOMA!!!!!!

Adelaide Afonso:
Fala do homem nascido (António Gedeão)
Venho da terra assombrada,
do ventre de minha mãe;
não pretendo roubar nada
nem fazer mal a ninguém.
(…)

Carla Azevedo:
Poema da malta das naus (António Gedeão)
Lancei ao mar um madeiro,
espetei-lhe um pau e um lençol.
(…)
Luísa Costa:
Na escolinha (Mia Couto)
Na escolinha,
a menina,
... propícia a equívocos, disse:
- masculino de noiva é navio.
(…)

José Pinto:
LA MUY HERMOSA (Manuel de Freitas)
Sê como eles. Chegam pela manhã
gastando os poucos trocos, a vida. Sentam-se
(…)

Marina Teixeira:
SONETO DE QUARTA-FEIRA DE CINZAS (Vinicius de Moraes)
Por seres quem me foste, grave e pura
Em tão doce surpresa conquistada
Por seres uma branca criatura
(…)

Deolinda Ferreira:
Na hora de pôr a mesa, éramos cinco (José Luís Pexoto)
na hora de pôr a mesa, éramos cinco:
o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs
e eu. depois, a minha irmã mais velha
(…)

Luísa Costa:
O poeta (Mia Couto)
O poeta não gosta de palavras
escreve para se ver livre delas.
(…)

Pausa…

Agostinho Leitão:
Ela Canta, Pobre Ceifeira (Fernando Pessoa)
Ela canta, pobre ceifeira,
Julgando-se feliz talvez;
Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia
(…)

Marina Teixeira cantou e bem,
Tudo Isto É Fado (Amália Rodrigues) 
Perguntaste-me outro dia
Se eu sabia o que era o fado
Disse-te que não sabia
(…)

Délia Fagundes:
Morte que mataste Lira (Balada Açoreana,  Adriano Correia de Oliveira)
Morte que mataste Lira,
Morte que mataste Lira,
Mata-me a mim, que sou teu!
(…)
O sol perguntou à lua (poema popular açoreano)

O Sol perguntou à Lua
Quando'a, quando havera amanhacer 
Quando'a, quando havera amanhacer
À vista dos olhos teus
À vista dos olhos teus
Que vem, que vem o Sol cá fazer
Que vem, que vem o Sol cá fazer
E o Sol préguntou à Lua
quando havera amanhacer.

Noite mágica que termina com os bailarinos de serviço a dançar quizomba e salsa...
... e eu estou farta de escrever!
Até à próxima vadiagem.
Quem gosta, fica, quem não gosta, discretamente desaparece, sem mais porques...
AQ




































 


Registe-se um agradecimento especial a Rui Araújo, director do Teatro de Vila Real, que nos proporcionou um espaço para este encontro cultural. 

11 comentários:

  1. É muito bom o enlace entre poesia, música e vinho! O resultado não podia ter sido melhor: uma espécie de vida, pela partilha entre todos. Deixo um link com algumas das vozes atuais da poesia portuguesa, para quem quiser dar um mergulho: http://www.poemsfromtheportuguese.org/

    ResponderExcluir
  2. E houve tão bons leitores e leitoras. E uma escritora que timidamente se revelou. Falta só partilharem tudo isso numa sessão Calhau! Fica o desafio lançado ;)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Zé Pinto, desculpa não ter podido comparecer na vossa sessão, mas não foi de todo possível. Espero que tenha corrido bem. De certo que correu. Fico a aguardar o próximo.

      Excluir
  3. Obrigada, Zé Pinto, pela tua presença, por partilhares connosco a tua poesia e por vires ao blog e deixares o teu precioso testemunho. Estou certa de que estes vadios aceitarão o teu desafio.

    ResponderExcluir
  4. Noite muito bem passada...bom as fotografias podem induzir a uma qualquer sessão espiritual 😁 a ideia foi boa. Carla, o que eu gostei de te ouvir...não desvalorizando os restantes. E descobri uma "fadista"

    ResponderExcluir
  5. Obrigada, pequenina (de atitude mental dos altos píncaros). Eu também gostei muito desta noite, não só pelas leituras como também, e principalmente, pela descoberta de outros que, como eu, apreciam o último trovador. Pedro Barroso é tudo num homem só: voz, música e poesia. Canta como se declamasse e declama como se cantasse. A simplicidade da sua existência traduz-se na complexidade da sua música: a sensualidade dos poemas; a crítica social na sua voz; a poesia na sua música, numa diversidade de instrumentos que não abafam o poder da sua guitarra. Gostar de Pedro Barroso é mais do que gostar de um músico, é abraçar uma filosofia de vida. Há o budismo e o Barrosismo! Do Pedro, não do outro! Houve alguém (não me lembro quem) que disse que "quando canta parece que os pássaros e o vento se calam e as raízes rompem da terra". É isto mesmo.
    Deixo-vos com um dos meus poemas preferidos. A minha filosofia de vida. Só mudava o Tejo pelo Douro! Espero que gostem. "Se houver alguém que não goste, não gaste, deixe ficar..."

    www.pedrobarroso.com/poemas/lavrador.htm

    https://www.youtube.com/watch?v=3o9JCt77-Qo

    www.pedrobarroso.com/poemas/lavrador.htm

















    ResponderExcluir
  6. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  7. Boas, ok sim já sei mais uma vez deslocado no timing, mas não quero deixar de registar um curto registo.
    Muito...muito bom é apenas mais uma humilde prova de que a poesia e os poetas estão vivos e recomendam-se, julgo até que muito em breve como certamente irão perceber a declamação de poemas musicados é algo que está novamente a crescer e aparecer.
    Confesso que não estava à espera de uma sessão quase exclusivamente dedicada à poesia e vai, não vai, difícil de encontrar por entre as cordas obstinadas tamanho repertório/improviso, mas também é neste formato de uma espécie de Jamsession, que se revela a magia da partilha, a todos um muito obrigado por este momento.

    Como não poderia deixar vaga ideia de partilha, contextualizado neste tema, mais uma vez deixo uma referência discográfica, a meu ver repleta de poesia.
    Kayhan Kalhor, é considerado um virtuoso no instrumento musical kamancheh, as apresentações de repertório de música persa e as muitas colaborações atraíram audiências em todo o mundo. Nasceu em Teerão (Irão), começou os seus estudos musicais aos sete anos de idade e hoje as suas colaborações estendem-se à New York Philharmonic and the Orchestre Nacional de Lyon, mas também ao cinema com colaborações com Francis Ford Copolla’s, tive oportunidade de o ouvir no Festival de músicas do mundo de Sines, com Erdal Erzincan e nada mais nada menos que um dos concertos mais envolventes que presenciei.
    Deixo o link do site oficial:
    http://www.kayhankalhor.net/
    Vídeo do duo:
    https://www.youtube.com/watch?v=YjdbmNjy75s

    Até breve, abreijos

    ResponderExcluir
  8. Agrada-me bastante o modo como a música se juntou aos livros e aos vinhos, formando assim um triângulo amoroso onde todos têm lugar e são bem vindos.

    ResponderExcluir
  9. A música chegou-nos pela mão do Zé Correia, quer borrifando sobre nós umas gotas da sua vasta cultura musical, quer sob a forma de concerto, no qual exibiu não um, mas dois instrumentos, ambos bem afinados. Obrigada, Zé, pela partilha! Contamos e cantamos (se isso se proporcionar)com a tua música no próximo encontro.

    ResponderExcluir