sábado, 23 de julho de 2016

Caro leitor 9

Douro Village Hostel
21/07/2016
21h30m

Ok! Vamos lá por mãos à obra porque a Anita (não a da praia, mas a Quelhas) deve estar mortinha por saber o que se passou nesta conversa vadia. Vou tentar ser fiel ao que se passou.

Para que se saiba: eu não tenho o dom da escrita. Escrever é para mim um processo muito doloroso! E tenho tendência a abusar dos pontos de exclamação. Influência da B.D.
Leitores Presentes


Mimi ( a organizadora da sessão)
Deolinda (a pequenina)
Sónia (a psi)
Isabel (a daimosa)
Eu (a Carla)
Délia (a luminosa ou iluminada)
Carolina (a nova leitora)
Raúl (o Tonecas)
Marina (a ruiva)
Rui (o selfie)
Cristina (a friorenta)




Adelaide (la nate de la nate)
Rafael ( a vítima)
João Luís (o afastado)
Luísa (a faladora )

A Sónia foi a primeira a chegar e ficou insegura porque não viu ninguém do grupo. Ainda pensou em marcar uma consulta consigo mesma para ultrapassar essa insegurança, mas entretanto chegou a Délia e deu-lhe o apoio necessário.  Encontrei-as, sós e abandonadas, à porta do Douro Village Hostel.
Lá dentro, no pátio, estava escuro como bréu  e pensei logo que a Délia se iria arreliar com tanta escuridão, pois aquela mulher gosta de ver bem o que faz!





Entretanto foram chegando mais leitores, com alguma dificuldade em localizar-nos, tal era a escuridão.
A Isabel chegou carregada com livros. Tinha feito limpeza à estante e trouxe os livros sobrantes para oferecer a quem quisesse levá-los. Que bela ideia, Isabel. Espero que haja outros a fazê-lo. Espalhados em cima da mesa, lá tentamos, ao lusco-fusco, ver o que nos interessava. Eu açambarquei logo dois, os outros estavam acanhados.  A pensar que a Isabelinha só queria emprestar. Não. Ela quer mesmo livrar-se de alguns, por isso aproveitem! E aproveitaram.
 



“Alô! Anabela. Preciso de ti aqui. Não vou conseguir tirar notas, falar, tirar fotos... é muita coisa para mim. Não sei como consegues, mulher!

“Ninguém é insubstituível” – responde-me ela.



O Tanas! Isso pensava eu até esta sessão. E tive a confirmação depois de pegar nas minhas notas. Muuuito pior do que eu pensava.

Basicamente saiu isto:

“ Este parece o Tonecas”
“Agora que já tinha a pedrinha quentinha!”


“Fico muito contente por encontrar um grupo tão sorridente e bem-disposto.”

Palmas para a Carla (não sei porquê, mas acho bem escrever aqui que me bateram palmas).
"A pronúncia vem de onde?"
"Gosto muito de música."
"Podíamos também trazer música. Falar de música."
"Falta aqui o nosso músico."
E trazemos. Eu trouxe a banda sonora do filme "Habla com Ella", Pedro Almodover (2002) -
um filme lindíssimo que narra a história de dois homens unidos afetivamente a duas mulheres que se encontram em coma no mesmo hospital, um é enfermeiro no hospital e o outro é noivo da toureira que foi ferida gravemente na arena. O filme  debate questões como o coma e estrupo. Um drama de uma intensidade incrível e que desarma completamente o espetador. A música e a fotografia são fantásticas.
Nesta altura começaram as apresentações ao nosso novo membro: Carolina.
Eu sou a Marina e canto com a Carla.
Eu sou a Luísa e bato palmas à Marina e à Carla.
Eu sou o Raúl e sou da mesa de mistura.
Eu sou o João e ajudo o Raúl.
Eu sou a Sónia e canto no coro.
Eu sou a Deolinda. ( E não apanhei mais nada)
Eu sou a Lai e pinto a manta e o azulejo.
Eu sou o Rafael e sou muito ajuizado, estes dois é que não me deixam (esta parte é da minha autoria!)
Eu sou o Rui e leio muitos livros da Anita. Hoje foi o “Anita com amigos meus nas Fisgas”. O livro que mais gostei de ler foi o “Anita na praia...do Meco”.

Eu sou a Isabel e canto com a Délia no coro da concorrência e quando formos grandes vamos cantar no outro.

Quando forem  grandes?!!!! Quando forem grandes?!!!!  Mas vocês estão a gozar com quem? Com a Deolinda, com a Sónia  e com a Luizinha? Que por acaso até já cantam no coro. Menos a Luizinha que acha que canta mal. Acha. Havemos o de confirmar numa destas sessões.
Entretanto, Anabela, ficas a saber que vamos cantar ao Espaço Torga um dia destes. Ou melhor, O Coro Gerações Morgado.

Ficamos a saber que a Lai é especialista em arroz e vai experimentar umas receitas do livro “Receitas de amor para mulheres tristes”. Até agora tem experimentado as receitas para mulheres alegres e saiu-se bem!

Entretanto, a Mimi resolveu falar-nos sobre a história da casa do hostel.
“Então isto era uma estalagem que só tinha cavalos?”
Se forem visitar o resto das instalações reparem no candelabro.
Boa tentativa, Mimi!
“Eu li tudo do Pedro Paixão”
“Eu devorei os livros dele numas férias de Natal.”
“Estás a contar-me as pintas?”
Parece que é da opinião geral (de duas ou três) que Pedro Chagas Freitas tenta imitar Pedro Paixão e que nos livros deste é tudo muito fabricado. Bem, o primeiro nome é o mesmo, por isso vale a pena tentar para o leitor mais distraído.  


Pois é, Anabela. Tentei. Juro que tentei estar à tua altura. Até fiz trabalho de casa e tudo. Mas não sei porquê, a mim ninguém me leva a sério. Pesquisei sobre a história dos hostels e a dada altura quando pergunto quem teve a ideia do primeiro hostel, alguém pergunta “O homem não se chamaria Hostel?”
Não. Não se chamava Hostel. Chamava-se Richard Shirmann e construiu o primeiro hostel não em Alfena, mas em Altena, na Alemanha.  E não foi num hospital, nem numa casa de meninas, nem numa estação de caminhos de ferro, foi mesmo num castelo. O homem costumava fazer visitas de campo com os seus alunos e um dia foi apanhado de surpresa por uma tempestade e precisou de se refugiar com os alunos e aí idealizou uma alternativa para acomodar as pessoas. Esse hostel ainda funciona. Nos anos 20, os hostels difundem-se por toda a europa, mas durante a segunda guerra mundial muitos foram destruídos, tendo sido depois recuperados quando a guerra terminou.
Tesourinho deprimente: o primeiro hostel  em Portugal só apareceu em 2005! Em Lisboa, o Lisbon Lounge Hostel.
Apareceu finalmente a dona do Hostel para nos falar sobre a história da casa e sobre o funcionamento do hostel.
Era uma casa de habitação tradicional e a parte de baixo era toda em terra batida. A casa mantém exatamente o traçado original. O jardim interior (onde nos encontrávamos) foi recuperado, estava todo soterrado. A pia foi adaptada para lago. Há cem anos atrás a casa foi uma estalagem.(Como disse a Mimi). A parte de baixo era onde ficavam os animais.
“Quase cem anos tenho eu e não me lembro disto”. Sim, Luíza. É bem verdade que a dada altura hás de ter cem ou duzentos e nó a achar que tens quarenta!
A casa foi restaurada tendo em conta dois aspetos: salvar e manter o que é rústico e fazer com que qualquer pessoa, de qualquer idade se possa sentir bem. Tem capacidade para 32 pessoas.
No piso térreo existe um quarto ligeiramente maior, adaptado para pessoas com limitação. È um quarto de casa, com um beliche rebatível. Há duas camaratas para 6 pessoas e as restantes são de 4, com casa de banho privativa.
Preços: consultar o facebook: https://pt-pt.facebook.com/dourovillagehostel/
Entretanto o Coelho Selfie precisou de uma mantinha. 
Outra vez as minhas notas:
" A cultura acabou. O verdadeiro espírito europeu está na ... e... porque....”
AHHHHHHHHHH! Não consigo apanhar a Miss Europa!
“... o chulé grego é diferente do chulé austríaco”
“Piolhos com chulé é brinde”

“A Anita teve muitas aventuras. É uma mulher da vida. É uma p***!”
“A rapariga do Comboio” promete mais do que oferece”.
Entretanto, uma leitora menos vadia fala sobre o Pai Nosso. Houve, pelo menos, três leitoras atentas que a ouviram. Mas uma delas não conseguiu tirar notas. Acho que vou lê-lo nas férias para me redimir. E voltamos a falar dele.

“Olha o pókemon”. (não sei a que propósito)
    "O Meu Pipi" é um diário de um jovem português, que, pela descrição pormenorizada e criativa das suas proezas sexuais, provoca a inveja nos homens e a curiosidade nas mulheres. N' "O Meu Pipi" encontramos sátiras ao estilo de autores portugueses como António Lobo Antunes e José Saramago, teorias absurdas sobre a homossexualidade dos animais, a heterossexualidade e a joanetofilia, tudo sempre explicado e desenvolvido num português sem mancha, merecedor da atenção de um Rodrigo de Sá Nogueira. Muitos falaram já sobre O Meu Pipi, como José Pacheco Pereira, no jornal Público: "Nenhuma história da obscenidade nacional (uma velha tradição portuguesa, de Bocage a Vilhena) pode prescindir d'O Meu Pipi." Ou Miguel Esteves Cardoso no seu site Pastilhas; "O Meu Pipi: O melhor blog! O melhor português! O melhor blog português!" Este livro é prefaciado pelo jornalista e cronista Carlos Quevedo.
    Dentro do género, se apreciar o género, é incontornável. O blogue que deu origem a este livro é espécie de enciclopédia sobre o machismo, sobre o palavrão e sobre referências escatológicas ao sexo. Porém, está tudo muito bem escrito, como muito humor e ironia. É o substituto natural do fenómeno editorial do Natal 2002, ou seja, do "Homem que mordeu o cão".
    Se alguém estiver interessado em mais uma opinião sobre o blogue

    A Luizinha teve a ousadia de ler um excerto. Finalmente fez-se silêncio. A meio da leitura faltaram os óculos. Não sei se as letras diminuíram ou se os palavrões aumentaram.
    Continuou o silêncio. E foi pena ninguém tirar fotos nessa altura. Rostos incrédulos de quem se pergunta “Mas não era isto um grupo de leitores sérios que leem poesia e tudo?”
    Carla, não voltas a fazer isto sem a Anabela. És um perigo! E posto isto, vamos lá ver a casa.
    UFF!! Acabei. Mas que trabalheira. 




     



    Nota: se tiverem paciência, contem os pontos de exclamação!!!!