domingo, 18 de dezembro de 2016

Caro leitor 13 - 2.º parte

O convite desta vez seguiu por e-mail porque tínhamos uma proposta um pouco diferente do habitual e foi assim:

Caros leitores,

Por maioria das vontades: dois votos a favor contra todos os outros que não se pronunciaram, vamos assistir à apresentação de um livro de Caseiro Marques, NO LARÓ,  dedicado a todos os caminheiros, no Centro Cultural, pelas 21.30h, seguido de um copo com conversa no Johnny Red (não com o Johnnny Red). Será diferente e motivo para conversa posterior. Caso a apresentação seja uma grande seca (corremos esse risco e eu não me responsabilizo pelos danos) a seguir teremos o prazer de massacrar a cabeça à Anabela. Mas também corremos o risco de ser interessante e termos muito que conversar sobre o assunto. 
A vantagem destes nossos encontros é que nunca sabemos o que vai acontecer. Lembrem-se "os livros são só o mote." 

Esperamos por vós. 

Fiquem bem. 

Bem, parece-me que eu e a Anabela somos as únicas a levar uma "vida folgada" e faça chuva ou faça sol; faça frio ou calor; haja testes para corrigir ou reuniões; direções de turma; concertos e eventos vários, somos as únicas a cumprir com o nosso compromisso e nada nos demove deste nosso objetivo de sair para falar ou ouvir falar sobre livros.

Entendo que ao verem as primeiras fotos vos pareça tudo muito cinzento e um pouco pesadão, mas a culpa é daquele pano preto que serve de fundo à mesa! A conversa foi interessante.

Digo-vos, estava tão motivada que desta vez tirei apontamentos por minha livre e espontânea vontade, mas só sobre o livro apresentado.

NO LARÒ foi descrito como inserindo-se no género literário crónica,  mas também com algo de ensaio e texto de opinião. Apresenta uma escrita escorreita de fácil leitura (não de leitura fácil!). Descreve voltas e andanças por vários locais, com descrições dessas mesmos locais: Guarda, Viseu, Vila Real, Douro, Coimbra, Torres Vedras, Lisboa, Algarve, Açores, Porto.
Foca diferentes temas: natureza, património, cultura popular.
Entretanto o senhor esticou-se e o meu tempo de concentração esvaiu-se. Desliguei. Estava frio. Tinha que minimizar os gastos de energia até poder recuperá-la no Johnny Red (não com o Johnny Red). Então reduzi os meus gastos de energia ao  máximo mantendo-me em stand by. Só consegui a apanhar mais isto: "Uma amizade feita na montanha dura para toda a vida". Temos que fazer uma sessão do Caro Leitor na montanha, que vos parece?

Acabada a sessão lá fomos nós, eu e a Anabela, porque havia um novo elemento da nossa trupe que não podia acompanhar-nos ao Johnny Red. Este elemento vai permanecer em segredo até à próxima sessão.

E dizia eu que lá fomos nós, as duas vadias conversadeiras, recuperar a energia. Psi desculpa ter-te dito que não iamos desta vez ao Johnny Red e que ficaria para a próxima, mas era o que estava mais próximo e dado o número de elementos achamos que não era necessário reserva. Mas olhem que aquilo estava cheio!

A conversa foi fluída. Claro. Quando se trata de livros assunto não nos falta. Mas há algo que tenho que corrigir no que a Anabela disse sobre a nossa relação com a cozinha. Eu adoro estar na cozinha! Na verdade a cozinha é um dos meus locais preferidos da casa. Acho um local acolhedor, cheio de aromas e de cores.  Gosto de fazer de tudo na cozinha... menos cozinhar!

Tantas luzes e tanta gente! Vila Real parecia uma metrópole europeia. Não sabem o que perderam... para além da nossa companhia, claro!



quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Caro Leitor 13

Centro Cultural de Vila Real No Laró, Johnnie Red, leituras e outras vadiagens
Anabela Quelhas
Carla Azevedo
Anabela Quelhas
Carla Azevedo
Anabela Quelhas
Carla Azevedo
Anabela Quelhas
Carla Azevedo


Alguns ainda não perceberam que nós somos um grupo de muitas valências, nós somos os Caro Leitor, que vamos a todas pois valorizamos o dialogo e tudo o que se passa à nossa volta.... claro os livros também porque fazem parte da nossa vida.

 Quem é o "odalisco"?
Não se admirem porque ele é mesmo assim - cheio de gripe e preocupado com os outros, o António suspendeu o seu lenço alvo no chapeu, com duas molinhas da roupa, para evitar beijinhos das senhoras e abraços dos cavalheiros, e foi assim à apresentação do seu novo livro "No Laró".
(não é fácil competir com ele em originalidade e sentido de humor e parece que em gripe também não)


 


Considerações do autor de "No laró"...


Apresentação realizada por Salustiano Lopes


... ouvindo atentamente.

Assinando o meu livro.



Depois atalhamos pró Johnnie Red.
Só fez falta quem esteve!!!!!!!!!!!!!!!!
Um diálogo do caraças, duas vadias conversadeiras, ora agora falas tu, ora agora falo eu, e garanto-vos que foi um caso sério, de"Caro Leitor"!!!!!
- O que querem tomar?
- Algo que faça dormir: 1 taça de vinho e um chá de cidreira com adoçante....
Sobre "No Laró", quem é este? quem é aquele?
A união num livro de muitas saídas como caminheiro e como organizador de visitas a locais interessantes, normalmente com a História associada.
Divagamos para a leitura, quem lê e quem não lê, quem lê apenas o quê...mesmo neste grupo do Caro Leitor. Porque lemos? porque me obrigo a alguma disciplina para ler, mesmo quando o tempo é escasso...
Porque trazemos sempre um livro no carro?
Ler para as crianças, ler para os nossos alunos.... será que alguma vez leram algo interessante para de facto gostarem de ler.
Será que os professores lêem?
E os alunos como se motivam?
Quantas palavras lêem por minuto? O que iremos fazer para dar um empurrão na leitura?
Porque é que hoje, os caros leitores se baldaram? ai testes, ai reuniões... desculpas esfarrapadas, não quiseram arrefecer os pés, pois a noite está gelada. Só perde quem fica em casa.
Porque é bom ler ao pequeno almoço?








Só perderam!!! porque o nosso diálogo foi interrompido várias vezes para refrescarmos o olhar.... olhando à volta apreciando a decoração da natureza morta e das naturezas vivas!!!!
olhem o rostinho da Carla, vejam como está animada. 👮💆👽😅
 Conversa daqui e dali, passámos revista apurada numa série de pessoas e situações. De livros falàmos???? títulos??? falàmos Carla? Já nem sei.
Falámos de Paulo Coelho e de Augusto Curry sem ser pelas melhores razões. "A saga de um pensador" e "Mentes brilhantes" - sempre o vínculo com a psiquiatria.
Falamos de João Tordo e o nosso Afonso Cruz.
 Se pensam que estivemos a trocar receitas de Natal, enganam-se. Eu e a Carla somos tão diferentes, mas temos algo em comum: o desamor pelos cozinhados.
Quando, algum dia fugirmos, nunca nos procurem numa cozinha, pois não estaremos lá!







Quase nos impediam de sair do Johnnie Red,- sem pagar não saem!!!!
Fiquem, fiquem!!!! ouvia-se uma vaga de fundo.
Depois passeamos pela cidade... olhem a diversão, as ruas cheias de gente, luzes por todo o lado, tudo a celebrar o solstício de Inverno!!!O calor humano, o espírito de Natal a sair-nos pela boca em forma de nuvem, a vibração telúrica e nocturna desta bela cidade!!!!
Voamos pelas ruas que fizemos céu....ops estou a exagerar!!!! Calma Pedro!!!! Muita calma!
Saímos apenas pelas ruas pedindo com licença atendendo  à grande quantidade de noctívagos.



Pronto terminei.

sábado, 10 de dezembro de 2016

Informação

Caros leitores
Todos os elementos a quem foi enviado convite para integrar este grupo meio vadio, meio atinado pode publicar no blog. É fácil e enriquece-nos a todos. Beijinhos seus vadios natalícios que ainda acreditam no Pai Natal!


O SACRISTÃO


O SACRISTÃO - Somerset Maugham

Houvera um batizado aquela tarde, na igreja de São Pedro, e Albert Edward Foreman ainda estava com sua batina de sacristão. Ele reservava sua melhor indumentária do cargo para casamentos e funerais, e a que usava naquele momento era a segunda melhor. Gostava de usar a batina, por ser um digno símbolo das suas funções, e se sentia insuficientemente vestido sem ela. Cuidava do traje com todo carinho, e durante os dezesseis anos no cargo tivera uma série delas, mas nunca fora capaz de jogá-las fora quando desgastadas pelo uso, guardando-as embrulhadas em papel marrom nas gavetas inferiores do guarda-roupa.
Estava esperando apenas o vigário sair, para poder arrumar tudo, trancar a igreja e ir para casa. O vigário passou para o presbitério, fez uma genuflexão diante do altar e começou a caminhar numa das alas de bancos.
— “Que será que ele está procurando? — pensou. — Ele devia perceber que eu tenho de ir para casa tomar o meu chá”.
O vigário era um homem de seus quarenta anos, rosto corado e enérgico, que assumira o cargo recentemente. Albert ainda lamentava a perda do antecessor, um sacerdote da velha escola que pregava seus sermões monotonamente, com voz argêntea, e freqüentemente jantava com seus paroquianos mais aristocráticos. Gostava das coisas assim, não como esse novo vigário, que queria dar palpite em tudo. Mas Albert era tolerante, e nunca se agastava.
A Igreja de São Pedro era muito bem localizada, com paroquianos muito distintos. O novo vigário estivera antes junto a paroquianos de outro nível social, e era natural que demorasse um pouco a se adaptar aos novos.
— “Mudanças assim contundem as pessoas — pensava Albert, — mas ele acabará aprendendo”.
Quando o vigário se aproximou de Albert a ponto de poder falar-lhe no tom de voz baixo adequado ao lugar sagrado, parou e o chamou.
— Foreman, venha comigo à sacristia, que eu preciso conversar um pouco com você.
— Pois não, senhor.
Enquanto caminhavam juntos, Albert comentou:
— Bonito batizado, senhor. E foi muito interessante como a criança parou de chorar exatamente quando o senhor a tomou nos braços.
— Já notei que isso acontece com freqüência. De fato eu consegui boa prática em lidar com bebês.
Albert ficou um tanto surpreso ao encontrar na sacristia os dois conselheiros da paróquia, que ele não vira entrar. Cumprimentou-os cortesmente. Eles ocupavam o conselho há muito tempo, quase tanto quanto o dele como sacristão. Estavam sentados atrás de uma grande mesa, e o vigário ocupou a cadeira vaga entre os dois. Albert sentou-se do outro lado da mesa, enquanto procurava, com certa intranqüilidade, descobrir o que podia ter acontecido. Lembrava-se de quando o organista criou uma encrenca, e dos aborrecimentos que os três tiveram para acertar as coisas. Numa igreja como a de São Pedro não se podiam admitir escândalos. O vigário tinha um ar de benevolência, mas os outros estavam um tanto a contra-gosto.
— “Ele os deve ter repreendido — pensou o sacristão. — Parece que ele os convenceu a fazer alguma coisa, mas não estão gostando nem um pouco”.
— Foreman — começou abruptamente o vigário, — temos algo bem desagradável a comunicar-lhe. Você está aqui há bastante tempo, e estamos de acordo em que vem desempenhando a contento as suas funções — os outros dois assentiram, com uma inclinação da cabeça. — Mas uma informação surpreendente chegou ao meu conhecimento: você não sabe ler nem escrever.
— O vigário anterior sabia disso — replicou Albert sem nenhum embaraço. — Ele me disse que isso não tinha importância, e que para o gosto dele já havia educação em excesso no mundo.
— Isto é a coisa mais espantosa que eu já ouvi — replicou um dos conselheiros. — Quer dizer que você foi sacristão desta igreja dezesseis anos, sem saber ler nem escrever?
— Eu comecei a trabalhar aos doze anos, senhor. O cozinheiro do meu primeiro emprego tentou ensinar-me, mas parece que eu não tinha embocadura para o negócio. E daí para diante, sempre mexendo com uma coisa e outra, não me sobrava tempo. De fato eu nem queria, pois estou cansado de ver essa gente perdendo tempo em ler, quando podia estar fazendo alguma coisa útil.
— Mas você não se interessa em ler os jornais? Nunca quis escrever uma carta?
— Não, senhor. Vivo muito bem sem isso. De uns tempos para cá os jornais trazem fotografias, e assim eu fico sabendo o que acontece por aí. Além disso, a minha mulher é instruída, e escreve todas as cartas de que eu preciso. Não sou nenhum imprestável por isso.
Os dois conselheiros olhavam para o vigário, um tanto perturbados, e depois baixaram os olhos para a mesa.
— Bem, Foreman. Eu discuti o assunto com os conselheiros, e eles concordaram em que numa igreja do porte da nossa não é admissível um sacristão analfabeto. Quero que você compreenda, Foreman, que não tenho nenhuma reclamação contra você, pois tenho em alto conceito o seu caráter e a sua capacidade, além disso você desempenha bem suas funções. Mas não temos o direito de arriscar-nos a que algum acidente possa ocorrer devido à sua lamentável ignorância. É por motivo de prudência, e também por princípio.
— Você não conseguiria aprender, Foreman? — perguntou um dos conselheiros.
— Não, senhor. É muito tarde para isso. Se eu não consegui quando era criança, acho pouco provável que consiga enfiar as letras na cabeça agora.
— Não queremos agir com brutalidade, Foreman, mas os conselheiros e eu já decidimos dar-lhe três meses de prazo. Se até lá você não conseguir, teremos de dispensá-lo.
— Lamento, senhor, mas isso será perda de tempo. Burro velho não pega marcha. Vivi muitos anos sem saber ler e escrever, e modéstia à parte desempenhei bem o meu papel sem isso. Mesmo que eu tivesse condições para aprender agora, não me interessaria nem um pouco.
— Neste caso, Foreman, lamento dizer-lhe que o dispensamos.
— Sim, senhor. Com prazer eu entregarei meu cargo tão logo o senhor contrate um substituto.
Depois que se despediu dos três e fechou atrás de si a porta da sacristia, Albert relaxou o ar de serena dignidade com que suportara o golpe, e seus lábios se contraíram. Pendurou a batina no armário, vestiu o sobretudo e saiu da igreja pensativo. Não tomou o caminho de casa, onde o esperava o seu chá. De coração oprimido, caminhou lentamente, sem saber de momento o que fazer da vida. Não lhe passava pela cabeça voltar à função de mordomo, depois de ser o dono de si mesmo por tanto tempo, pois quem de fato administrava aquela igreja era ele. Tinha economizado bastante, mas não o suficiente para viver sem trabalhar, e além disso a vida estava cada dia mais cara.
Nunca pensara que viria a enfrentar esse problema. Afinal de contas, os sacristães da Igreja de São Pedro eram vitalícios, tanto quanto os Papas. Pensara até nas elogiosas referências que o vigário faria, no sermão seguinte à sua morte, sobre a dedicação e o caráter exemplar do falecido sacristão Albert Edward Foreman. E suspirou profundamente.
Albert não fumava nem bebia. Ou melhor, não em termos tão absolutos. Tomava uma cerveja no jantar, algumas vezes, e fumava um cigarro quando se sentia preocupado ou cansado. Era bem o caso, naquele momento, e como não costumava trazê-los consigo, começou a olhar de um lado e outro daquela rua movimentada, à procura de uma tabacaria. Havia por ali lojas de todos os tipos, mas nenhuma tabacaria. Foi até o fim da rua, e nada.
— “Que coisa estranha!” — pensou.
Para não haver dúvidas, voltou ao início da rua: nenhuma tabacaria.
— “Não é possível que eu seja o único homem, em toda esta rua, que de vez em quando quer dar uma tragada. E acho que um comerciante poderia ter bom lucro com uma loja dessas aqui”.
Albert tomou o caminho de casa, e ia pensando:
— “Estranho, como as idéias ocorrem quando a gente menos espera”.
Em casa, enquanto tomava o chá, a mulher comentou:
— Você está silencioso hoje, Albert.
— Estou pensando.
Examinou os vários aspectos do assunto, e no dia seguinte voltou àquela rua. Encontrou facilmente uma loja adequada, alugou-a, e um mês depois despedia-se do emprego na igreja, iniciando suas novas atividades de comerciante de tabaco e jornaleiro. A mulher o censurou pela queda de status, mas ele argumentou que se deve dançar conforme a música, e que agora ele ia dar a César o que é de César.
Albert saiu-se muito bem. Tão bem que depois de um ano resolveu montar outra loja, a ser confiada a um gerente. Procurou uma rua nas mesmas condições, que também não tivesse tabacaria, e a abasteceu convenientemente. Novo sucesso.
Ocorreu-lhe então que, se podia administrar duas, podia administrar meia-dúzia. E começou a andar pela cidade, à procura de ruas movimentadas desprovidas de tabacarias. Em dez anos, as lojas dele já eram nada menos que dez. Toda Segunda-feira ele as percorria, recolhia a renda e depositava num banco.
Um dia, quando fazia esses depósitos habituais, o funcionário do banco o avisou de que o gerente queria conversar com ele. Foi conduzido a uma sala, onde o gerente o recebeu sorridente:
— Sr. Foreman, gostaria de conversar sobre o seu saldo conosco. O senhor sabe exatamente o montante?
— Não em todos os centavos, mas tenho uma idéia bastante aproximada.
— Sem contar o que o senhor depositou hoje, é um pouco mais de trinta mil libras. É uma quantia muito alta para ficar simplesmente depositada, e eu acho que o senhor poderia lucrar bastante investindo-a.
— Não quero correr riscos, senhor, e prefiro tê-la garantida no banco.
— O senhor não precisa preocupar-se. Forneceremos para sua escolha uma lista de investimentos seguros, com lastro em ouro, que lhe trarão rendimento maior do que o banco pode oferecer.
— Nunca entendi de ações e títulos, e terei de deixar as aplicações para o senhor decidir.
— Não há problema. Tomaremos todas as providências necessárias. Basta o senhor assinar os papéis quando voltar ao banco.
— Está bem, mas como é que eu vou saber o que é que estarei assinando?
— Basta ler o texto dos próprios documentos.
— Acontece, senhor, que isso eu não posso fazer. Pode parecer estranho, mas não sei ler nem escrever, só sei assinar meu nome. E mesmo isso, só porque fui obrigado, quando entrei no ramo de negócios.
O gerente levou um susto tão grande, que saltou da cadeira.
— Isto é a coisa mais extraordinária que eu já ouvi!
— Mas é como eu lhe estou dizendo. Só tive a oportunidade de aprender quando já era bem idoso, e aí eu decidi não tentar. Uma espécie de obstinação.
O gerente olhava-o fixamente, como se fosse um monstro pré-histórico.
— Quer dizer que o senhor montou todo esse seu negócio e juntou uma fortuna de trinta mil libras sem saber ler nem escrever? Santo Deus! Imagino então o que o senhor teria conseguido, se soubesse.
Foreman deu uma gargalhada, e respondeu:
— Isso eu posso lhe dizer, direitinho: Seria sacristão na igreja de São Pedro.


(Somerset Maugham, Collected short stories – Penguin Books, Harmondsworth, 1971)


UMA PARTILHA DA ISABEL SARMENTO